Nao faca uma coisa dessas

Mesmo que não seja levado a sério, o bom conselho não deve ser omitido, mas dado o quanto antes. Se for para tentar evitar a consumação de uma intenção pecaminosa, o alerta precisa ser dado com clareza e autoridade, mesmo que custe algum preço ao conselheiro.

Quando Joanã, o capitão dos judeus à época da tomada de Jerusalém pelo exército caldeu, ofereceu-se para matar Ismael em benefício da segurança de Gedalias, o governador disse-lhe de imediato: “Não faça uma coisa dessas” (Jr 40.16).

Quando o povo de Israel insistia em queimar incenso e prestar culto a outros deuses, por influência das nações vizinhas, os profetas, dia após dia, exortavam-no assim: “Não façam essa abominação detestável” (Jr 44.4).

Quando Amnon, o filho mais velho de Davi, fingiu estar doente para receber em seu apartamento a visita de Tamar, sua irmã por parte de pai, e fechou a porta para agarrá-la e deitar-se com ela, a moça gritou: “‘Não, meu irmão! Não me faça essa violência. Não se faz uma coisa dessas em Israel! Não cometa essa loucura’. Mas Amnon não quis ouvi-la e, sendo mais forte que ela, violentou-a” (2Sm 13.12-14).

Quando o governador romano Pôncio Pilatos, sentado em tribunal entre a cruz e a caldeirinha, pressionado pelo povo — que, por sua vez, era pressionado pelos chefes dos sacerdotes — hesitou a respeito da sorte de Jesus, sua mulher lhe enviou esta mensagem: “Não se envolva com este inocente, porque hoje, em sonho, sofri muito por causa dele” (Mt 27.19). Mas, assim como Amnon, Pilatos não seguiu o conselho da esposa e agiu contra o seu próprio senso de justiça.

Quando os sobreviventes do cerco e da tomada de Jerusalém pelo rei Nabucodonosor intentaram fugir para o Egito, o profeta Jeremias declarou-lhes solenemente: “Não vão para o Egito” (Jr 42.19). Mas eles desobedeceram e foram buscar a proteção do Faraó, que não valeu de nada.

Curiosamente, o ser humano está sujeito a receber e a recusar não só o bom, mas também o mau conselho. De um lado, alguns sopram em seus ouvidos: “Não faça uma coisa dessas”, “Não cometa essa loucura” ou “Não se envolva com este inocente”. De outro lado, há sempre alguém dando a voz de comando contrário. O conselho de Deus era para que o homem não comesse o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, mas a serpente aconselhou a mulher a comer, e Eva, depois de comer, deu-o a seu marido (Gn 2.15-17; 3.1-4). Foi Jonadabe, amigo e primo de Amnon, quem o aconselhou a fingir-se de doente para satisfazer sua paixão sexual por Tamar (2Sm 13.3-5). Foi Jezabel quem aconselhou o marido, Acabe, a tomar criminosamente a vinha de Nabote, que ficava ao lado do palácio, o que provocou o severo juízo de Deus (1Rs 21.1-16).

Essa dupla opção é oposta entre si. Uma persegue a outra. Muitas vezes, a voz de uma e a voz da outra saem do mesmo lugar e têm a mesma energia. A força do Espírito segreda de um lado “Não faça” e a força da carne segreda do outro “Faça”. É uma verdadeira guerra civil, que durará por toda a vida terrena.

Ministro o curso MMI juntamente com minha amada esposa Sílvia Helena, e por várias vezes nos deparamos com situações como estas, ver a pessoa seguir um caminho inapropriado ao cristão e ter que aconselhar, mesmo correndo o risco de perder a amizade, vejo alguns líderes de igreja, outros facilitadores de MMI, e pessoas que poderiam dar um bom conselho, mas se calam diante de determinadas situações. Há algum tempo atrás fomos procurados por outro líder de MMI para aconselharmos ele a aconselhar ou calar-se diante de uma determinada situação, o marido de um dos casais que faziam o curso com este nosso amigo, falou em alto e bom tom que achava uma “besteira” esse negócio de amorzinho pra cá amorzinho pra lá, já estávamos na metade do curso e o homem não havia mudado em nada com relação ao seu comportamento para com sua esposa, e ainda criticava quem mudara, pois para ele não valia a pena mudar seus hábitos por sua esposa, nosso conselho foi apenas uma pergunta, o que é mais precioso para você, a amizade desse casal ou a salvação do casamento deles? Se você falar o que já deveria ter falado, talvez ele se aborreça, talvez não, e se ele se aborrecer, mas salvar o casamento ele vai compreender que o que foi dito foi para o bem dele e logo ele irá retomar a amizade, se não falar, talvez continue a amizade, mas até quando?

Eu sei que muitas vezes é um dilema difícil de se resolver, mas aqui via um CONSELHO, diga sempre o que deve ser dito, para o bem do outro, apenas busque na palavra de Deus o melhor conselho a se dar, mas o nosso calar-se pode custar em alguns casos uma vida.

Nós que conhecemos a palavra de Deus não podemos nos omitir diante dos obstáculos da vida, mesmo que a quem nós aconselhamos não dê ouvidos ao conselho, mas não seja responsável (mesmo que parcialmente) pelo erro ou até morte de alguém.

Ao ver seu irmão, vizinho, amigo, colega do trabalho caminhado pelo lugar errado, peça sabedoria a Deus e fale, aconselhe a não ir por aquele caminho, mostre o bom caminho, a decisão final será dele, mas o dever de ensinar o caminho correto é nosso.

Pense nisso quando você ouvir alguém falando em separação, em traição, “farra” e etc.

Lembre-se:

Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. (Mateus 5:13)

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