A Importancia da Oracao

A oração está entre as mais antigas práticas da humanidade, o que faz dela algo elementar e intuitivo. A oração é a expressão mais íntima da vida cristã, o ponto alto de toda experiência religiosa genuinamente espiritual. De todas as criaturas de Deus, somente os seres humanos oram; a oração é estritamente pessoal. Ela é um dom de Deus para nós, o nosso elo com o Criador. A compreensão da natureza da oração e de sua importância para nos tonarmos representantes efetivos de Cristo é de
caráter indispensável para cada servo de Deus.

 

I – DEFININDO A ORAÇÃO

Oração (Heb. Tefilah, gr. proseuchomai, e do latim oratiomen)- Segundo o Dicionário Teológico de Claudionor Corrêa de Andrade, oração é uma “prece dirigida pelo homem ao seu Criador com o objetivo de: 1) Adora-lo como Criador e Senhor de tudo quanto existe; 2) Pedir-lhe perdão pelas faltas cometidas; 3) Agradecer-lhe pelos favores imerecidos; 4) Buscar proteção e uma comunhão mais íntima com Ele; Colocar-se à disposição de seu reino”. Em síntese, podemos dizer que a oração é o meio de comunicação com Deus.

II – A ORAÇÃO COMEÇA COM A CONVERSÃO

Podemos afirmar que, ao passo que iniciamos a vida cristã, também começamos a orar. Quando o pecador sente a amorosa chamada de Deus (Pv 23.26), ele aproxima-se de Deus e pede-lhe perdão de seus pecados (Sl 32.5; Jr 33.8), o que constitui sua primeira oração, ele é perdoado, e experimenta a verdadeira conversão (Is 55.3). Neste momento, o Espírito Santo estabelece morada nele (Rm 8.9; I Co 6.19), o qual passa a sentir o intenso desejo de orar: “…derramarei o Espírito de graça e de súplicas…” (Zc 12.10). A partir de então, o ente divino que habita no crente faz com que ele sinta suas fraquezas e passe a viver uma vida de oração.

III – PORQUE DEVEMOS ORAR?

O cristão deve entender que a oração, assim como a leitura da Palavra, é algo indispensável ao seu desenvolvimento espiritual. É como a alimentação de uma criança, que determinará sua estatura, sua saúde, atividade mental, etc,. Se a criança tem uma alimentação deficiente, ela terá problemas de raquitismo, baixa imunidade, anemia, etc. Além do desenvolvimento espiritual, devemos orar porque:
1) A oração é um mandamento bíblico (I Cr 16.11; Is 55.6; Am 5.4,6; Mt 26.41; Lc 18.1; Jo 16.24).
2) É o meio pelo qual recebemos as bênçãos de Deus (Lc 11.5,13; At 1.14).
3) Na oração falamos com Deus, e Ele se faz presente (Dt 4.7).
4) Na oração Deus fala conosco (II Co 12.9,10).
5) Recebemos ajuda divina (Hb 4.16).
6) Alcançamos o que pedimos (Mt 7.7,8).

IV – A ORAÇÃO DEVE SER UM HÁBITO DO CRISTÃO

A vida consiste de hábitos, tanto bons quanto maus. Os hábitos mais produtivos são fruto da disciplina, prática, e aplicação.
Enquanto a oração não for um hábito bem firmado e não tiver se tornado parte do estilo de vida do crente, sua vida será infrutífera e sem efeito apreciável. Os grandes homens de oração da Bíblia foram pessoas de rígidos hábitos de oração. O rei Davi escreveu: “De
tarde e de manhã e ao meio dia orarei; e clamarei; e ele ouvirá a minha voz” (Sl 55.17). A respeito de Daniel foi escrito: “Entrou em sua casa (ora havia em seu quarto janelas abertas da banda de Jerusalém), e três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como antes costumava fazer” (Dn 6.10). Daniel tinha hábitos de oração tão fixos, que nenhuma circunstância da vida tinha permissão para interrompê-los. Orações regulares era um costume habitual entre os judeus, pois estabeleciam três períodos de oração para todos os dias como nos casos citados de Davi e Daniel. Nos tempos neotestamentários, esses horários eram às nove horas da manhã, às três da tarde e ao pôr do sol. Embora, para alguns a prática tivesse se deteriorado para nada mais do que um ritual (Mt 6.5,16). Para a igreja primitiva, os horários fixos de oração foram seguidos fielmente. Somos
informados de que “Pedro e João subiam juntos ao templo à ora da oração, a nona” (At 3.1), ou seja, às três da tarde. Nosso objetivo com isto, não é estimularmos a fixação destes horários de oração seguidos pelos cristãos de Jerusalém, até porque estes horários fazem parte de um contexto social totalmente diferente do nosso. Porém, cada crente, por iniciativa própria, deve estabelecer um hábito pessoal de oração, de acordo com sua realidade (I Ts 5.17).

V – IMPEDIMENTOS À ORAÇÃO

Há impedimentos à oração? Por que muitas de nossas orações não são respondidas? Estas são perguntas comuns entre os servos de Deus. De acordo com o princípio bíblico esposado pelo próprio Senhor Jesus em Mateus 7.7,8, há uma garantia de resposta às orações feitas por nós, ao nosso Pai celestial. Mas, existem situações em que estas orações não são atendidas, pois ferem os desígnios de Deus, e a realização de Sua vontade em nossas vidas, e das pessoas que nos cercam (Mt 7.9-12).

Vejamos algumas situações em que as orações são impedidas:
Quando pedimos erroneamente (Tg 4.3).
Quando a oração é interesseira (Mt 20.20-28).
Quando pedimos sem fé, ou duvidamos (Tg 1.5,6; Hb 11.6).
Quando estamos fora da vontade de Deus (I Jo 5.14).
Quando pedimos o que não convém (Rm 8.26).
Quando não perdoamos (Mt 18.15-22; Mc 11.25,26).
Quando os cônjuges não se entendem (I Pe 3.7).
Quando há desavenças familiares (Ef 5.22-25,28-34).
Quando há pecados não confessos (Is 59.1,2).

De acordo com estas verdades, podemos afirmar que nossas orações serão atendidas se:
Reconhecemos nossas imperfeições (II Cr 7.13,14).
Confessamos nossos pecados (Pv 28.13).
Nos humilhamos (Pv 16.8; Tg 4.6).
Perdoarmos (Mt 6.14,15).
Tivermos comunhão (Sl 133; I Jo 4.7,8).
Tivermos compromisso (Jo 15.13-16).
Respeitarmos às pessoas (I Tm 5.1-8).
Amarmos (I Co 13.1-8; Jo 15.12).
Aceitarmos a vontade de Deus (Mt 7.21; Rm 12.1,2).
Confiarmos em Deus (Hb 11.6; Rm 1.17).

VI – ELEMENTOS ESSENCIAIS DA ORAÇÃO

A Bíblia é riquíssima em informações sobre a oração e suas nuanças, tanto no A.T. como no N.T., porém, queremos registrar aqui, de forma bem sucinta, alguns elementos que são essenciais à oração, são eles:
Ação de graças – Nossas orações devem começar com agradecimento à Deus pelo que Ele tem feito por nós. As ações de graças eram parte importante nas orações bíblicas e nos Salmos, tal como deveriam ser em nossas orações. A falta de gratidão é um inimigo sutil da alma, que conduz ao egoísmo (Rm 1.21; Sl 30.12; 69.30; 116.17).
Louvor e adoração – Deus, deve ser louvado e adorado em nossas orações. Amados, nossas orações não devem ser frias e decoradas. Ao orarmos, deve brotar de nossos corações uma adoração profunda e sincera como acontecia com o salmista Davi (Sl 9.1,2; 18.1-3; 92,1-5; 145.1-3).
Intercessão – Vem do hb. Pãga, (“encontrar-se”, “pleitear”, “interceder diante dele”, e ocorre 46 vezes no A.T.) e do gr. entunchano (“apelar a”, “fazer intercessão”, “orar”) e resume-se no ato de pedir a Deus em favor de outrem. Ao orarmos, não devemos chegar primeiro com aquela “lista” enorme de pedidos pessoais, devemos pedir pelas outras pessoas também, pois isto demonstra amor e misericórdia diante de Deus. Lembremo-nos, que “o Senhor virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus amigos; e o Senhor acrescentou a Jó outro tanto em dobro a tudo quanto dantes possuía.” (Jó 42.10).
Submissão – A submissão é meio para a oração eficaz, o cristão submisso aceita humildemente a autoridade e o senhorio daquEle a quem está orando. Não obstante o cumprimento desta condição prévia, o cristão precisa igualmente submeter-se
aos líderes que Deus colocou acima dele (Hb 13.17).
Súplica – é o ato de fazer humildes e intensos rogos pedindo o favor especial de Deus (I Rs 8.33,34; Sl 30.8).
Petição – As petições são os nossos pedidos pessoais, que podem ser os mais variados possíveis, é a nossa “lista” de necessidades, como citamos acima (Mt 6.32; Sl 40.17; 107.41; Fp 4.19).

CONCLUSÃO

Concluímos afirmando que a oração é apropriada em qualquer tempo e lugar. Não precisa de cerimonialismo, de vocabulário rebuscado, ou de grandes catedrais para se ter uma audiência com o Todo Poderoso! Quando um crente sincero dirige-se ao Pai, a oração pode ser feita diante da pia da cozinha ou numa rua movimentada, a bordo de um avião ou diante do volante de um automóvel; no interior ou na capital; num lugar solitário ou junto de uma multidão inquieta; na cova dos leões ou à margem de um riacho, em um quarto cheio de janelas ou em um santuário, em uma poltrona confortável ou no ventre de um peixe, de uma coisa temos certeza: o Senhor está com seus ouvidos abertos para nos ouvir e enviar-nos socorro direto do seu trono, diante do qual estão as miríades de seres angelicais que o servem e cumprem as suas ordens (Hb 1.7,13), Amém!

TEXTE EXTRAIDO – WWW.LUCIANOSANTOS.NET

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